Natura (NATU3) avança cerca de 5% com Advent International no capital: o que motivou o movimento
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Natura (NATU3) avança cerca de 5% com Advent International no capital: o que motivou o movimento

Natura (NATU3) opera em alta de cerca de 5% no pregão desta quinta-feira após a Advent International revelar que passou a deter 6,6% do capital da companhia; o fundo global de private equity sinaliza confiança na reestruturação em curso da empresa.

O que aconteceu hoje

As ações da Natura (NATU3) operam em alta de cerca de 5,2% por volta das 13h (horário de Brasília), cotadas próximas de R$ 10,35, no pregão desta quinta-feira, 2 de julho de 2026 — dado parcial, com o mercado ainda aberto. A ação figura entre os destaques positivos do Ibovespa na sessão.

O gatilho imediato foi a divulgação, ainda nesta manhã, de que o fundo Lotus Multi-Strategy Investment Fund, gerido pela Advent International, adquiriu 90,6 milhões de ações da Natura Cosméticos, representando 6,6% do capital social da companhia. Somada à exposição econômica de 1,4% via derivativos (operações TRS), a participação total do grupo pode chegar a 8% do capital — patamar próximo ao compromisso firmado pela gestora em março de 2026.

Por que o ativo se moveu

A divulgação confirma, na prática, o avanço de um processo anunciado há meses: em 30 de março de 2026, a Advent se comprometeu a adquirir entre 8% e 10% das ações da Natura no mercado secundário, com preço-alvo médio de R$ 9,75, em até seis meses. O comunicado desta quinta-feira formaliza a primeira parcela relevante dessa posição.

Associada à aquisição está uma reformulação de governança: a Advent passa a ter dois assentos no Conselho de Administração da companhia, enquanto os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos migram para um conselho consultivo — sem poderes executivos. O novo acordo de acionistas tem prazo de dez anos.

O movimento é interpretado pelo mercado como um sinal de confiança de um gestor global de private equity no processo de reestruturação da Natura — que incluiu a venda da Avon International e da operação na Rússia em 2025 — e no modelo de negócio mais focado que a empresa vem construindo.

Contexto e fundamentos

A Natura atravessa uma transição operacional relevante. Após registrar lucro líquido de R$ 186 milhões no 4T25 — revertendo prejuízo do período anterior —, a companhia voltou ao vermelho no 1T26, com prejuízo de R$ 445 milhões (ante R$ 50 milhões no 1T25). A piora refletiu despesas extraordinárias de reestruturação de R$ 221 milhões, queda de receita e pressão cambial em mercados hispanofones.

A empresa concluiu a fusão entre Natura &Co e Natura Cosméticos, retomando o ticker NATU3. O relançamento da linha Avon no Brasil e o foco no canal de venda direta são pontos de acompanhamento dos analistas. Em 2026, o papel acumula valorização superior a 40% no ano — bem acima do Ibovespa no mesmo período.

O JPMorgan mantém recomendação de compra para NATU3, apontando que a melhora operacional vai além do momento de reestruturação.

O que monitorar

  • Resultado do 2T26 (previsto para agosto): indicadores de receita líquida e Ebitda ajustado serão o próximo teste para saber se a companhia retoma a trajetória de melhora vista no 4T25.
  • Aquisições adicionais da Advent: o compromisso original previa a compra de 8% a 10% do capital; o grupo ainda pode elevar a participação direta em até ~1,4 ponto percentual.
  • Câmbio: parcela relevante da receita e dos custos da Natura é denominada em moeda estrangeira; a oscilação do dólar afeta diretamente as margens.
  • Integração Avon Brasil: o desempenho do relançamento da marca no mercado doméstico pode ser um gatilho relevante para as margens nos próximos trimestres.

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