O evento
O Irã reafirmou hoje que não há conversas de cessar-fogo com os Estados Unidos e que o Estreito de Ormuz seguirá fechado até que Washington aceite as seis condições impostas por Teerã em 8 de agosto — entre elas o fim do bloqueio naval americano a portos e exportações iranianas e a liberação de recursos do país congelados no exterior. O impasse remonta aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que abriram a guerra em curso na região. O presidente Donald Trump acusou hoje Teerã de tentar "fugir" do conflito, enquanto ataques de rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, contra embarcações no Mar Vermelho ampliam o prêmio de risco sobre o tráfego marítimo global.
A leitura econômica
O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, e cada semana de bloqueio prolongado eleva o prêmio de risco embutido no barril. É esse canal — oferta de petróleo mais apertada, custo de frete e seguro marítimo mais alto — que transmite o conflito para a inflação global e, por consequência, para a política monetária dos bancos centrais. Hoje esse efeito colidiu com um dado que caminha na direção oposta: o CPI americano de julho subiu 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses, ante 3,5% em junho, num arrefecimento que ajudou a conter o apetite por proteção cambial e manteve o dólar praticamente estável.
Os ativos sensíveis
O petróleo Brent fechou em alta de 0,7%, a US$ 89,55 o barril, e o WTI subiu 0,8%, a US$ 83,89. O ouro, no entanto, recuou 0,70%, a US$ 4.371 a onça — o alívio do CPI reduziu a procura por proteção, movimento que se reflete no ETF GOLD11 na B3. O índice DXY do dólar ficou praticamente estável, em 99,832 pontos, e o rendimento da Treasury de 10 anos cedeu a 4,696%. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de 0,30% e o Nasdaq avançou 0,59%, movimento capturado por IVVB11 e NASD11. Já o Ibovespa fechou em queda de 0,20%, a 167.874,64 pontos — sétima sessão seguida no vermelho, pressionado pelo quadro fiscal doméstico e pela saída de capital estrangeiro às vésperas das eleições de outubro — enquanto o dólar fechou a R$ 5,16, terceira alta consecutiva ante o real. O descolamento entre o petróleo em alta e o BOVA11 em queda mostra que, hoje, o risco doméstico brasileiro pesou mais sobre a bolsa do que o próprio conflito no Oriente Médio.
O que monitorar
No front diplomático, o Paquistão segue mediando conversas em Teerã na tentativa de destravar a reabertura de Ormuz; qualquer sinalização dos EUA sobre as seis condições iranianas tende a mover o petróleo com rapidez. No front macro, o núcleo do CPI ainda roda acima da meta de 2% do Federal Reserve, o que mantém em aberto a decisão de juros de setembro. No Brasil, o fluxo estrangeiro na B3 e o noticiário eleitoral de outubro seguem como os principais vetores de curto prazo para o Ibovespa e o câmbio.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.