IBC-Br cai 0,6% em junho e Focus mantém Selic em 13,75% para 2026
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IBC-Br cai 0,6% em junho e Focus mantém Selic em 13,75% para 2026

IBC-Br recua 0,6% em junho, pior que o esperado, e Boletim Focus trava a Selic em 13,75% para 2026, mostrando uma economia entre atividade fraca e inflação que cede devagar.

O fato

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (17) dois indicadores que resumem o momento da economia brasileira. O IBC-Br, prévia oficial do PIB, recuou 0,6% em junho — queda maior que a expectativa de mercado, de -0,5%. No mesmo dia, o Boletim Focus confirmou que os economistas mantêm a projeção de IPCA em 5,02% para 2026, a Selic em 13,75% ao ano e o dólar em R$ 5,20 no fim do período. A inflação oficial de julho, por sua vez, desacelerou pelo quarto mês seguido, com alta de 0,07%, levando o índice em 12 meses para 4,44% — de volta ao intervalo tolerado pela meta contínua (3% ±1,5 p.p.).

Por que importa

A combinação diz mais do que cada número isoladamente. Atividade mais fraca normalmente abriria espaço para o Banco Central cortar juros com mais rapidez. Mas a ata do Copom, divulgada na semana passada, já havia sinalizado que expectativas de inflação desancoradas exigem juros altos por mais tempo do que seria natural nesse ponto do ciclo. Resultado: o mercado trava a Selic em 13,75% até dezembro — nem mais aperto, nem alívio adicional — enquanto o crescimento perde fôlego. É o retrato de uma economia entre a inflação que cede lentamente e uma atividade que já sente o peso dos juros altos.

Quem reage

Com o cenário confirmado, o dólar opera em queda de 0,21% nesta segunda, cotado a R$ 5,209 por volta das 9h05 — ainda acima do patamar de R$ 5,20 que baliza as projeções do Focus. Na renda variável, o Ibovespa tenta se recuperar depois de fechar a sexta-feira aos 166.934 pontos, nona sessão seguida no vermelho: nos primeiros negócios desta segunda, o índice opera perto dos 167,5 mil pontos, alta de cerca de 0,34%. O fluxo estrangeiro segue negativo — R$ 13,6 bilhões retirados da B3 em agosto até o dia 12 — em meio ao início oficial da corrida eleitoral. Na tradução em ETFs, o movimento se reflete no BOVA11, que replica o Ibovespa, e no IVVB11, referência para quem busca exposição em dólar via S&P 500.

O que fica para o investidor

Selic parada em patamar elevado por mais tempo sustenta o apelo da renda fixa pós-fixada, enquanto a bolsa doméstica segue pressionada pelo binômio juros-atividade e pela saída de capital estrangeiro em ano eleitoral. Vale acompanhar três frentes nas próximas semanas: a reação do IBC-Br de julho, novos leilões do Banco Central para conter o dólar e o discurso dos candidatos sobre política fiscal — variável que o mercado já embute no preço da curva de juros longa.

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