Focus eleva Selic para 13,5% e conflito Israel-Irã joga petróleo para cima: Ibovespa oscila em 169 mil pontos
Análise

Focus eleva Selic para 13,5% e conflito Israel-Irã joga petróleo para cima: Ibovespa oscila em 169 mil pontos

FF

FinFocus Research

2026-06-08

O Boletim Focus desta segunda-feira (8) revisou para cima a projeção da Selic para 13,5% ao fim de 2026, enquanto o Ibovespa oscila perto dos 169 mil pontos em sessão marcada pela escalada do conflito entre Israel e Irã. Para o investidor brasileiro, o cenário reforça a atratividade da renda fixa e exige atenção às ações do setor de petróleo, beneficiadas pelo avanço do crude no exterior.

Boletim Focus: Selic em 13,5% ao fim de 2026

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (8 de junho) o Boletim Focus, pesquisa semanal consolidada por cerca de 100 instituições financeiras. A mediana para a taxa Selic ao final de 2026 subiu de 13,25% para 13,5% ao ano, marcando mais uma revisão para cima. Para 2027, a estimativa também avançou — de 11,25% para 11,5%. Em paralelo, a projeção do IPCA 2026 chegou a 5,11%, acima do teto da meta de inflação, o que justifica a perspectiva de juros mais altos por mais tempo.

Por que isso afeta o Brasil?

Com a Selic projetada em patamar elevado, o custo do crédito permanece alto e o crescimento do PIB — estimado em 1,91% para 2026 — deve seguir pressionado. A perspectiva de juros sustentados reforça a atratividade da renda fixa frente à renda variável, reduzindo o apetite do mercado por ações. No front externo, a intensificação do conflito entre Israel e Irã traz novo vetor de incerteza: o petróleo sobe no exterior, o que beneficia petroleiras listadas na bolsa, mas adiciona pressão inflacionária global — criando um dilema para o Copom nas próximas reuniões.

Selic, câmbio e bolsa

Selic: O mercado precifica 13,5% ao fim de 2026, mantendo Tesouro Selic, CDBs e LCIs como destino natural de capital conservador. Quem tem posição em prefixados ou Tesouro IPCA+ deve monitorar o risco de abertura de curva diante de novas revisões do Focus.

Câmbio: O dólar recua levemente nesta segunda, cotado a R$ 5,16, após subir 1,66% na sexta-feira (5) com dados de emprego fortes nos EUA. O sinal de baixa hoje é suave — o viés segue indefinido e a guerra no Oriente Médio pode reverter esse movimento rapidamente.

Bolsa: O Ibovespa opera em torno dos 169 mil pontos (-0,04%), sem direção clara. Ações de petróleo (Petrobras, PRIO) avançam com o crude, mas o humor geral permanece cauteloso diante dos juros elevados domésticos e da incerteza geopolítica.

O que monitorar

  • Ata do Copom (prevista para esta semana): pode trazer sinalizações sobre o ritmo futuro da Selic e o balanço de riscos do Banco Central
  • CPI americano (próximas semanas): qualquer surpresa altista reforça dólar forte e pressiona emergentes como o Brasil
  • Preço do petróleo (Brent): a escalada do conflito Israel-Irã é o principal gatilho de volatilidade no curtíssimo prazo
  • IPCA-15 de junho: termômetro da inflação doméstica para antecipar o próximo Boletim Focus

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