O evento
O Estreito de Ormuz segue com o tráfego praticamente paralisado nesta sexta-feira, mais de um mês depois de o corredor ter sido efetivamente fechado de novo no início de julho. As exportações da região caíram 2,1 milhões de barris por dia, para 15 milhões de barris/dia, com os carregamentos recuando de 20 milhões para cerca de 12 milhões de barris/dia ao longo de julho. Irã e Omã dizem estar nas "etapas finais" de um acordo para uma nova rota de navegação sob controle conjunto, mas Teerã condiciona a reabertura plena ao cumprimento, pelos Estados Unidos, do memorando de junho — que previa o fim do bloqueio naval americano a portos iranianos. Sem esse passo, o Irã não libera o tráfego de forma irrestrita.
A leitura econômica
Por Ormuz passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. O fechamento prolongado já levou a Agência Internacional de Energia (IEA) a revisar o balanço global: a oferta de 2026 deve cair 4,3 milhões de barris/dia, para 102 milhões, mais que compensando o corte na previsão de demanda. O resultado é aperto físico de estoques — nos EUA, as reservas de petróleo caíram para menos de 300 milhões de barris, o menor patamar em mais de quatro décadas. Esse choque de oferta sustenta o petróleo mesmo com dados de inflação americana mais brandos, que por si só apontariam para juros mais baixos. É a combinação — Fed mais dovish de um lado, risco geopolítico de oferta do outro — que hoje movimenta dólar, ouro e Treasuries.
Os ativos sensíveis
O Brent opera perto da estabilidade, a US$ 87,16 o barril, após recuar na sessão anterior (fechamento de US$ 87,07) em meio à cautela sobre os rumos da negociação Irã-Omã. O ouro fechou em alta de 0,38%, a US$ 4.437,30 a onça-troy na Comex, no maior nível em dez semanas, favorecido tanto pela busca por proteção quanto pela perspectiva de Fed mais brando — movimento que, na B3, se traduz em GOLD11. No Brasil, o Ibovespa (BOVA11) fechou em queda de 0,75%, aos , enquanto o dólar subiu ante o real, a , com o mercado local somando o risco externo do petróleo à cautela fiscal e eleitoral doméstica.