O fato
O IBGE divulgou nesta quinta-feira a Pnad Contínua do trimestre encerrado em julho: a taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,3%, o menor patamar da série histórica para esse intervalo desde 2012. A população ocupada bateu recorde, em 103,3 milhões de pessoas, enquanto o número de desocupados caiu para 5,8 milhões, queda de 8,0% (menos 503 mil pessoas) frente ao trimestre até abril. Na mesma manhã, o Banco Central informou déficit em conta corrente de US$ 8,11 bilhões em julho. O Ibovespa, no entanto, abriu em queda, negociado perto de 174,1 mil pontos, na contramão de Nova York — que sobe puxada pela disparada de mais de 6% da Nvidia no after-market, após a fabricante de chips projetar crescimento de receita de cerca de 70% para o ano fiscal de 2028.
Por que importa
Mercado de trabalho aquecido é boa notícia para consumo, mas complica a conta do Banco Central. Com a Selic em 14,00% ao ano — após o quarto corte consecutivo do Copom, no início do mês — a leitura é que o emprego em recorde sustenta a demanda e a massa salarial, reduzindo o espaço para cortes mais rápidos de juros, mesmo com a inflação dando sinais de trégua: o IPCA-15 de agosto, divulgado ontem, registrou deflação de 0,40%, com alta acumulada em 12 meses de 4,24%. O Copom volta a se reunir em 16 de setembro, e o mercado de trabalho forte é um dos argumentos que pesam a favor de cautela na próxima decisão.
Quem reage
O dólar é cotado a R$ 5,15, patamar estável ante o fechamento anterior. O Ibovespa (BOVA11 na B3) opera pressionado pela migração de fluxo para ativos globais ligados a inteligência artificial, movimento que também beneficia índices americanos — replicados aqui por IVVB11 (S&P 500) e NASD11 (Nasdaq), que tendem a capturar a valorização das techs puxada pela Nvidia. Juros futuros operam mistos, refletindo a tensão entre o dado de emprego forte — que trava o corte da Selic — e a inflação em queda, que abre espaço para o afrouxamento monetário mais adiante.
O que fica para o investidor
O recorde de emprego reforça um cenário doméstico de atividade resiliente, mas o fluxo de capital para fora da renda variável brasileira nesta quinta mostra que o apetite por risco global hoje está em outro lugar — nas techs americanas ligadas a IA. Para quem acompanha ETFs, vale monitorar a divergência entre BOVA11 e IVVB11/NASD11 nas próximas sessões, além da ata do Copom e a inflação de setembro, que devem calibrar até onde vai o ciclo de corte da Selic.
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Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.