O fato
O CPI dos Estados Unidos referente a julho subiu 0,1% no mês e acumulou alta de 3,4% em 12 meses — abaixo dos 3,5% registrados em junho —, segundo dado divulgado hoje às 9h30 (horário de Brasília) pelo Departamento do Trabalho americano. O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês e 2,5% no acumulado de 12 meses. O resultado veio em linha com o consenso do mercado.
Wall Street reagiu com alívio: o S&P 500 opera em alta de 0,30%, o Nasdaq sobe 0,59% e o Dow Jones avança 0,11% após o dado. No Brasil, o movimento foi mais nervoso — o Ibovespa chegou a subir 0,07%, aos 167.984 pontos, por volta das 10h10, mas inverteu o sinal e opera em baixa, perto dos 167,4 mil pontos, estendendo o tombo de 2,5% da véspera, quando fechou a 167.874,64 pontos — a mínima desde 20 de janeiro. O dólar oscila perto de R$ 5,16, próximo do fechamento anterior de R$ 5,1629.
Por que importa
Um CPI "em linha" parece notícia neutra, mas mudou a leitura do mercado sobre o próximo passo do Federal Reserve: antes do dado, as apostas para a reunião de setembro estavam praticamente divididas entre manter e cortar os juros; depois, o mercado passou a pender para a manutenção da taxa, hoje entre 3,50% e 3,75% ao ano. Com o núcleo ainda em 2,5% — acima da meta de 2% —, o Fed tem pouco espaço para acelerar cortes, o que sustenta o dólar forte no mundo todo e drena fluxo de ativos de risco em mercados emergentes.
No Brasil, esse pano de fundo externo se soma a um risco doméstico que Wall Street não tem: a fragilidade da maioria do governo no Congresso — hoje, uma sessão legislativa importante foi adiada após o mal-estar de um deputado — e a dúvida sobre a trajetória fiscal, mesmo com a Selic em 14% ao ano. É por isso que o alívio do CPI não atravessou o Atlântico: o risco doméstico pesa mais do que a folga vinda de fora.