O que é
Um ETF de renda fixa (fixed income ETF) é um fundo de índice negociado em bolsa que replica uma cesta de títulos de dívida — públicos ou privados — em vez de ações. No Brasil, os exemplos mais conhecidos replicam índices da Anbima compostos por títulos públicos federais, como as NTN-Bs, que são indexadas ao IPCA. Ao comprar uma cota desse ETF, o investidor passa a deter, de forma indireta e proporcional, uma fatia de toda a carteira de títulos que compõe o índice de referência.
Como funciona por dentro
O mecanismo central de um ETF de renda fixa combina dois conceitos que não existem em ETFs de ações: duration e marcação a mercado.
A duration mede, em anos, quanto tempo em média o investidor levaria para reaver o capital investido, considerando os fluxos de juros e o principal, e funciona, na prática, como um indicador de sensibilidade do preço a mudanças na taxa de juros. Quanto maior a duration da carteira, maior tende a ser a oscilação de preço diante de uma mudança nas taxas de juros de mercado.
Já a marcação a mercado (mark-to-market) é a prática contábil de reprecificar diariamente cada título da carteira pelo seu valor de negociação atual, e não pelo valor de compra original. Como todo ETF de renda fixa é marcado a mercado diariamente, sua cota oscila dia a dia mesmo sem qualquer evento de crédito — a oscilação reflete apenas a repactuação das taxas de juros embutidas nos títulos que o compõem.
Exemplo
Dois ETFs de renda fixa negociados na B3 ilustram como a duration muda o comportamento do fundo. O IMAB11 replica o índice IMA-B, da Anbima, que reúne NTN-Bs de todos os vencimentos, sem limite de prazo, e cobra taxa de administração de 0,25% ao ano. Já o B5P211 replica o índice IMA-B5 P2, restrito a NTN-Bs com vencimento de até cinco anos e prazo médio de repactuação igual ou superior a 720 dias, com taxa de administração de 0,04% ao ano e taxa total máxima de 0,20% ao ano. Como o IMAB11 carrega títulos mais longos, sua duration é maior, e suas cotas tendem a oscilar mais a cada movimento nas taxas de juros do que as do B5P211. Os valores de taxas seguem os documentos públicos dos gestores e estão sujeitos a atualização periódica.
O erro comum
O erro mais comum é tratar renda fixa e ETF de renda fixa como sinônimos de "sem risco" ou "sem oscilação". Diferentemente de um título público mantido até o vencimento — em que o investidor sabe exatamente quanto vai receber se carregar o papel até o fim —, a cota do ETF é marcada a mercado todos os dias e não tem data de vencimento própria. Isso significa que o valor da cota pode cair em períodos de alta de juros, mesmo que os títulos subjacentes não tenham qualquer problema de crédito.
O que isso muda no portfólio
Ao escolher entre ETFs de renda fixa, a duration da carteira é o dado que determina o comportamento esperado diante de mudanças na taxa de juros: quanto maior a duration, maior a sensibilidade da cota a esses movimentos. Isso não torna um ETF melhor ou pior que o outro — apenas indica perfis de oscilação diferentes, que devem ser compatibilizados com o horizonte de tempo e a tolerância a oscilações de cada investidor.
Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.