Guerra Irã-EUA se espalha a Kuwait e Egito; petróleo recua a US$ 90,04 após disparada de 7,9%
Macro & Geopolítica

Guerra Irã-EUA se espalha a Kuwait e Egito; petróleo recua a US$ 90,04 após disparada de 7,9%

Os EUA retomaram bombardeios contra o Irã nesta quinta-feira e o conflito, que já dura cinco meses, ganhou dois novos palcos: uma base no Kuwait e um navio no Egito. O petróleo Brent recuou 0,78%, a US$ 90,04, após disparar 7,9% na véspera, enquanto o Ibovespa fechou em alta de 0,7%, a 176.564 pontos.

O evento

Os Estados Unidos retomaram nesta quinta-feira os bombardeios noturnos contra posições militares iranianas, ampliando um conflito que já dura cinco meses e que passou a envolver diretamente outros países da região. A Guarda Revolucionária do Irã assumiu a autoria de um ataque contra a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, enquanto rebeldes houthis do Iêmen negaram participação em um ataque com drones contra um navio de armazenamento de gás operado pelos EUA no porto egípcio de Damietta. O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que as negociações com Omã para estabelecer um regime de controle sobre o Estreito de Ormuz seguem em curso, e Teerã voltou a advertir que países que permitirem uso de seu território para operações americanas podem sofrer "consequências".

A leitura econômica

O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do consumo mundial de petróleo em trânsito marítimo, o que torna qualquer risco de bloqueio ou taxação de navios um gatilho direto de prêmio de risco nos preços do barril. É esse canal — e não uma disrupção física confirmada até agora — que move o mercado: a possibilidade de Teerã formalizar cobranças ou restrições à passagem de cargueiros já é suficiente para embutir prêmio geopolítico na curva de petróleo. O mesmo pano de fundo pressiona ativos de risco emergentes, caso do Ibovespa, e mantém os rendimentos dos Treasuries e o dólar sensíveis a qualquer sinalização de escalada ou de trégua.

Os ativos sensíveis

O petróleo Brent recuou 0,78% nesta quinta-feira, a US$ 90,04 o barril, após disparar 7,9% na véspera, a US$ 90,74, no maior salto desde o início da escalada. O WTI havia fechado a sessão anterior em alta de 6,56%, a US$ 84,46. Na B3, o Ibovespa fechou em alta de 0,7%, a 176.564,75 pontos, recuperando parte da queda de 1,52% do pregão anterior, quando o índice cedeu a 173.885,34 pontos pressionado pelo setor financeiro e pelo conflito no Oriente Médio — movimento que se reflete diretamente no BOVA11, ETF que replica o índice na bolsa brasileira. O dólar à vista fechou em queda de 0,93%, a R$ 5,0611, movimento atribuído mais a incertezas sobre o Federal Reserve e rumores de intervenção do Japão no câmbio do que à tensão no Golfo. Nos Treasuries americanos, o rendimento da T-note de 10 anos subiu 2 pontos-base, a 4,70%, e o título de 30 anos avançou a 5,23%.

O que monitorar

O desfecho das negociações entre Irã e Omã sobre o regime de passagem no Estreito de Ormuz é o gatilho mais imediato para o petróleo: qualquer sinal de cobrança de taxas ou restrição a navios mercantes tende a reprecificar o prêmio de risco no barril. Também vale acompanhar eventuais retaliações a bases americanas na região, o rumo da política de juros do Fed — que tem pesado mais sobre o dólar do que a própria guerra — e a reação da Petrobras, principal ponte entre o conflito no Golfo e o Ibovespa.

---
Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.

Este conteúdo é produzido pela FinFocus Research (Solis Research Ltda · CNPJ 57.134.270/0001-02), credenciada pela APIMEC sob o nº 261 e autorizada pela CVM (Res. 20/2021). Não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.