Mercado paralisado à espera do Copom: Selic pode cair a 14% pela primeira vez no ciclo
Destaque do Dia

Mercado paralisado à espera do Copom: Selic pode cair a 14% pela primeira vez no ciclo

B3 e dólar operam em compasso de espera nesta quarta-feira: o Copom decide às 18h30 se corta a Selic de 14,25% para 14%, com 95% do mercado já precificando o movimento.

O fato

O mercado brasileiro opera em compasso de espera nesta quarta-feira. B3 e dólar reagem pouco por volta do meio-dia porque o dado que decide a sessão só sai à noite: o Copom anuncia às 18h30 se corta a Selic de 14,25% para 14% ao ano, o primeiro corte desde o início do ciclo de aperto. Os contratos de opções do Copom na B3 precificam 95% de chance desse corte de 0,25 ponto. Pela manhã, o dólar comercial opera em queda de cerca de 0,34%, cotado perto de R$ 5,11, depois de fechar a R$ 5,13 na véspera. O Ibovespa futuro chegou a subir 0,73%, aos 179.600 pontos, no início do pregão, sustentado por balanços corporativos e pelo exterior mais construtivo.

Por que importa

Um corte de juros hoje fecharia o primeiro capítulo de reversão de um ciclo que levou a Selic a 14,25% para conter uma inflação que resistiu mais que o esperado. O gatilho veio dos próprios números: o Boletim Focus reduziu a projeção de IPCA para 2026 de 5,12% para 5,03%, e a mediana para a Selic no fim do ano caiu de 14% para 13,75% — primeira revisão para baixo desde março. Menos inflação projetada dá ao Banco Central margem para começar a devolver juros à economia sem reacender expectativas. Do lado externo, o Federal Reserve manteve os juros na última decisão, tirando pressão sobre o câmbio e abrindo espaço para o Copom cortar sem provocar fuga de capital.

Quem reage

Juros mais baixos tendem a favorecer ativos de maior duration e sensibilidade a crédito doméstico — small caps, construção civil e consumo interno, replicados via SMAL11. O Ibovespa como um todo, via BOVA11, tende a reagir mais à confirmação do corte do que à expectativa em si, dado que 95% do mercado já precifica o movimento. No exterior, os futuros de Wall Street operam em alta nesta manhã, cenário que se traduz em IVVB11 e NASD11; o petróleo Brent recupera cerca de 2%, aproximando-se de US$ 80 por barril, após recuar mais de 5% no pregão anterior — movimento que pesa sobre a inflação de curto prazo, mas ainda não sobre os números de hoje.

O que fica para o investidor

O corte de juros, se confirmado, não é surpresa — está no preço. O que move carteiras a partir de agora é o texto do comunicado: se o Copom sinalizar continuidade de cortes ou parada única em 14%, como já indica o Focus. Vale monitorar a curva de juros futuros após as 18h30 e a reação do dólar nas primeiras horas de amanhã, além do fôlego do petróleo, que interfere diretamente na leitura de inflação dos próximos meses.

---
Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.

Este conteúdo é produzido pela FinFocus Research (Solis Research Ltda · CNPJ 57.134.270/0001-02), credenciada pela APIMEC sob o nº 261 e autorizada pela CVM (Res. 20/2021). Não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.