Glossário do ETF — Cap. 3: o que é o valor patrimonial por cota (NAV)
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Glossário do ETF — Cap. 3: o que é o valor patrimonial por cota (NAV)

O valor patrimonial por cota (NAV, de net asset value) é o valor de todos os ativos de um ETF, menos suas obrigações, dividido pelo número de cotas em circulação — o "preço justo" teórico da cota, distinto do preço negociado em bolsa.

O que é

O valor patrimonial por cota (NAV, de net asset value) é o valor de todos os ativos de um ETF, menos suas eventuais obrigações, dividido pelo número de cotas em circulação. É o "preço justo" teórico de cada cota, calculado a partir do que o fundo efetivamente possui em carteira — e não a partir da oferta e da demanda que movem o preço na bolsa.

Todo ETF tem, ao mesmo tempo, dois números: o NAV, apurado pelo administrador com base no fechamento dos ativos da carteira, e o preço de mercado, que resulta dos negócios entre compradores e vendedores durante o pregão. Na maior parte do tempo os dois ficam próximos, mas não são a mesma coisa.

Como funciona por dentro

O cálculo é feito diariamente pelo administrador do fundo, em geral após o fechamento do mercado. O processo segue três etapas: primeiro, soma-se o valor de mercado de cada ativo da carteira (ações, títulos ou outros instrumentos) ao preço de fechamento do dia; depois, soma-se o caixa disponível e subtraem-se despesas provisionadas, como a taxa de administração acumulada; por fim, o total é dividido pelo número de cotas emitidas naquele momento.

Esse número — chamado de NAV oficial, apurado uma vez por dia — não deve ser confundido com o iNAV (indicative NAV), uma estimativa do valor patrimonial recalculada a cada 15 segundos durante o pregão, usada como referência para quem está comprando ou vendendo a cota naquele instante. O iNAV ajuda o mercado a formar preços, mas ainda assim é uma estimativa: o NAV oficial do dia só fica pronto depois do fechamento.

Exemplo

Em 7 de julho de 2026, o NAV por cota do BOVA11 (ETF que replica o Ibovespa) era de R$ 169,05, com variação diária de -0,25% em relação ao dia anterior e alta acumulada de 6,96% no ano. A taxa de administração do fundo, de 0,10% ao ano, é descontada dia a dia do patrimônio antes desse cálculo — por isso o NAV já reflete o custo do produto, sem que o cotista precise pagar boleto separado.

O erro comum

É comum o investidor olhar apenas a cotação da tela de negociação e achar que ela é o valor patrimonial do fundo — os dois nomes até soam parecidos. Mas o preço de mercado pode se afastar do NAV, para cima ou para baixo, especialmente em ETFs de menor liquidez ou que replicam mercados em fusos horários diferentes (como um ETF brasileiro de ações americanas, negociado na B3 em horário no qual a bolsa de Nova York ainda está fechada). Tratar os dois como sinônimos leva a comparações erradas de rentabilidade e a decisões de compra e venda no horário errado.

O que isso muda no portfólio

Saber diferenciar NAV e preço de mercado muda a forma de avaliar um ETF: a rentabilidade "de verdade" de uma cota, para fins de comparação com o índice de referência, é calculada sobre o NAV, não sobre a cotação de fechamento na bolsa. Também é o NAV — e não o preço de tela — que orienta o mecanismo de criação e resgate de cotas, responsável por manter o preço de mercado ancorado perto do valor patrimonial, tema do próximo capítulo desta série.

Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Analista responsável: CNPI Nº 261 — Solis Research Ltda.

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