O IPCA, principal índice de preços ao consumidor do Brasil, subiu 0,58% em maio na base mensal, desacelerando em relação aos 0,67% de abril, mas ficando acima da mediana de 0,53% prevista em pesquisa da Reuters. Foi a maior leitura para um mês de maio em cinco anos, desde 2021. Alimentos e bebidas continuaram sendo a principal fonte de pressão inflacionária, mantendo um padrão que persiste há meses. A categoria de alimentação no domicílio foi particularmente afetada por perturbações climáticas na oferta agrícola e pelo aumento dos custos de frete, impulsionado pela alta no preço do diesel.
O Copom cortou a taxa Selic duas vezes neste ano, em 25 pontos-base cada, em março e abril, levando-a a 14,50% — ante a máxima de quase duas décadas de 15%. O banco central havia mantido as taxas nesse patamar de junho de 2025 a janeiro de 2026, antes de dar início ao ciclo de afrouxamento monetário.
A inflação acima da meta complica o caminho a seguir. A Reuters reportou no início deste mês que o presidente do banco central, Gabriel Galipolo, sinalizou pressões de demanda contribuindo para a inflação. As expectativas do mercado para a inflação de 2026 subiram para 5,04%, de acordo com a última pesquisa Focus, bem acima da meta de 3%. A XP Investimentos agora espera apenas mais dois cortes de um quarto de ponto, enquanto o BTG Pactual antecipa apenas uma redução final na próxima reunião, seguida de uma pausa prolongada.
A inflação de serviços também acelerou, subindo para 0,40% em maio ante 0,04% em abril, com as tarifas aéreas passando de uma queda acentuada para uma alta de 3,20%. As próprias projeções do banco central para abril já indicavam inflação de 4,6% em 2026, acima da meta. Com a inflação em 12 meses agora em 4,72% e os preços dos alimentos sem dar sinais de arrefecimento, os formuladores de política monetária enfrentam um difícil equilíbrio entre apoiar uma economia que ainda se ajusta a algumas das maiores taxas de juros reais do mundo e manter a credibilidade no cumprimento da meta de inflação.

Inflação acumulada em 12 meses no Brasil supera teto da meta antes da decisão de juros
A inflação anual ao consumidor no Brasil acelerou para 4,72% em maio, superando o teto da meta de 4,5% do Banco Central pela primeira vez desde outubro de 2025 e ficando acima das expectativas do mercado, de acordo com dados divulgados na sexta-feira pelo IBGE. O resultado aumenta a pressão sobre os formuladores de política monetária às vésperas da reunião do Copom, marcada para os dias 16 e 17 de junho, quando o comitê decidirá se dará continuidade ao ciclo de afrouxamento monetário.
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